Abriu a porta do salão onde estariam dando uma grande festa. As pessoas bem vestidas com suas peles de animais exóticos. Resolveu se esconder atrás de uma árvore, pois não queria que lhe vissem aí. Gostava, se divertia em observar em silêncio e comentar o ocorrido para si mesmo, em sua cabeça, ou mesmo narrar os fatos. Mas o bom mesmo era prever. Ontem havia previsto que estaria aqui e vejam só, ali estava. Já chegou a prever um fato do passado e se orgulhou em resultar que havia de fato ocorrido. “Mas isso é estranho” ele pensava “se eu espiono a todos deve haver alguém me espionando”. E o mato engrossava a cada vez que ele pensava e ficava mais difícil enxergar as pessoas em suas peles vistosas. Corria de uma árvore para outra se escondendo e buscando um ponto de vista melhor, mas a floresta ficava mais densa a cada segundo e parecia cantar em silêncio para ele a vibração de todo o universo. Ouvia aquela música e já andava sem se esconder, pois tudo o veria. “Você me faria o favor de cantar mais alto para mim?” “Não deixe o momento distrair-me, apenas cante.” Começou a subir nas árvores para ver de onde vinha a voz. Mas a voz vinha de baixo. Desesperado cavou um buraco bem fundo onde pudesse colocar as pernas e descansar um pouco. Enquanto os pés sugavam toda a água que havia emergido no buraco seus olhos pareciam fazer fotossíntese, nada lhe escapava a visão, estava atento a tudo. Como aquela luz que flutuava longe no alto e a escada que levava até ela. Mas os pés já estavam coçando a esta altura e também sofria de acrofobia, preferia não deixar as coisas chegarem a certa altura antes de tomar uma medida. Tomou então a medida. Parecia do tamanho de uns cinco universos, uma distância pequena de onde poderia saltar. Preparou, então, o salto. Dobrou as pernas, partiu para a queda. E o puseram para fora do salão.



