Se eu desisto é uma palavra minha.

O medo não prolifera a raiva e eu não sou você. Vivo a doce conclusão do infinito. Eu gostaria de ter as palavras certas para usar, mas não consigo assimilar as questões mais simples, assim como não posso me distanciar do medo. Seus dedos escorregando pelas minhas costas, eu penso que sentir sua falta é a prova de nossa glória. Já não sou mais tão velho para escolher qualquer canção. São ou não são, nem se estão, vão e vão, ou vão em vão. Arrebenta a palavra contra a parede. Sei que repito. Sem um jeito mais simples, eu estou aqui e a muito tempo me esqueci de cativar a solidão. Às vezes nem parece que eu sou louco. Nem me sinto como tal, como o tal. Viviviviviviviviviviviviiiiiiiiiiiiiiiiiii. Por quanto a tristeza. Por seis mil. E se eu grito. Não surte efeito mesmo, eu não vou triunfar. E todo esse tempo a esperar. Eu sinto o seu carinho me levar. Estou seduzido. O quanto eu vivi, por quanto eu vivi. Com a boca aberta. A língua pra fora. A garganta inflamada. Mesmo que eu quis que eu quis e que quis quis que eu quis que eu eu quis. Mesmo lugar. Onde eu estou. E se me apetece me mudar. Pra onde eu vou. Como eu quis amar. Agora é um perigo. Eu cilada. Você ouviu. A enfermidade se aproximar e não me disse que entre mim e você não existe muita coisa, pois tudo é onda estacionada esperando para arrebentar, tudo é energia, tudo é uma questão de observar o mar. Agora eu respiro pra pensar. Só a destruição constrói. Só o inevitável é certeza. O resto são possibilidades. Tudo é possível, menos o inevitável. Estou certo disso. Invariável. Toda negação é certeza. Inquestionável. Imensurável. Inarrável. Inefável. Mesmo assim. Eu vou. Mesmo que desapareça eu vou, não . Os dedos escapam da caneta e da caneta escapa a canção. Ou melhor, os dedos escapam da caneta e da caneta escapa a emoção. Ou melhor, os dedos escapam da caneta, descem a escada para o estacionamento, roubam o carro e ganham o mundo sem fim. O deserto abissal. Diferente vontade, palavra igual. Posso me sentir. Se me toco com meus dedos posso me sentir. Então eu talvez exista mesmo. Não é só aquela sensação louca de quando acordo e parece que de fato existe um mundo ao meu redor e que tudo existe e que eu estava em um lugar onde nada existe e agora é um lugar diferente. Não. É mesmo real. Ou devia ser. Pois quando eu acordo tenho a honesta sensação de estar existindo. Depois vem o esvaziamento completo. Tudo é mais claro quando eu estou dormindo. Toda noite eu sonho em poder dormir. E aquele completo desajuste. Na hora errada no lugar errado. O azar. Ou um incrível sentimento, uma habilidade para o reconhecimento de uma boa maré de azar, e então um bom aproveitamento do vento e das condições do tempo. Tempestade o tempo todo. O tempo todo. A eternidade. O infinito. A certeza de estar errado. A negação. A forma de dentro. A fôrma de dentro não é a mesma fôrma utilizada para o acabamento externo. As palavras você não pendura na parede ou no teto. Você deixa elas na sala, ou rolarem escada a baixo, ou elas buzinam na porta, nem sempre você abre. Muitas vezes elas querem saltar. A janela. O décimo primeiro andar. Está em tudo que faço, está em tudo que beijo. Eu agora vejo que é impossível viver sem poesia.

Só o impossível é certeza, o resto são possibilidades.