Estava chovendo forte, o céu ameaçava relâmpagos, mas com a claridade do dia ainda não se podia ver se de fato estava relampejando… Toma isso, oh, e põe ali para escorrer… Saímos no meio da tempestade (dá pra imaginar?) e corremos aí umas cinco quadras, você não imagina, mas chegamos ensopados, mas tão ensopados que… me passa isso aí… não, isso aí na sua frente, aí, com a mão direita… chegamos tão ensopados que mal conseguíamos respirar e um senhor chegou da rua de baixo nos oferecendo umas máscaras de oxigênio que tinha para vender. Ele olhou no bolso e não tinha um centavo, eu tinha umas moedas no bolso para o  ônibus que não davam pra comprar… tá escutando? (Olha, isso você segura assim, com as duas mãos e firme, que é para não cair…) Então deu nele de voltar para pegar o dinheiro, a final de contas precisávamos respirar… não, segura assim… e subimos toda a ladeira de volta naquele calor, com o sol forte que faz nessa época do ano, subimos duas quadras depois `a direita para tornar a virar a esquerda. Aí tem um pátio enorme que se você continuar subindo chega nessa cachoeira que fomos, tomamos banho e saímos correndo a caçar borboletas. As borboletas se escondem quando vêem animais que não são plantas, que não têm flores e aquelas raízes para roubar da terra (toma, pega isso, agora daquela forma que te falei… não… isso…) roubar sais e minerais, mas sempre que fazem isso, uma vez mortas, lhes toca devolver, pegamos o dinheiro que precisávamos e fomos comprar as máscaras de oxigênio. Quando chegamos já me faltava ar, tive que respirar bem fundo para voltar a ver borboletas.