Ele caminha sozinho. Já faz alguns dias que está longe de casa. Ele se sente confuso e o vento frio em contato com o seu corpo o faz relembrar toda a dor que sente e o quanto esta dor tem sido seu motor. O quanto a fraqueza é sua companheira e agora toma seu corpo magro como se fizesse dele alimento. Sim, ele está fraco e sem inspiração, cansado por ainda não entender a vida e sua direção. Poderia mesmo supor que está morto por dentro, se não fosse prova de vida a imensa dor que sente. Se arrasta pelo chão com os olhos fundos, cansados, tonto. Só tem um pensamento. Mas vai ficar um tempo, mesmo sabendo que seria melhor ir. Vai ter que suportar a dor por mais tempo, prender a respiração, ver sangrar a ferida e talvez, pela primeira vez, tentar se curar. Ele está ficando, na hora de ir.