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O projeto tem evoluído com mais facilidade do que eu esperava. Duas músicas já foram escritas e estão em fase de edição. Esse será um processo bem interessante, uma continuação da composição musical, um momento em que vamos buscar utilizar a edição como um instrumento, parte da criação artística. As músicas têm saído do canto escuro da sala. O diálogo freqüente com as sombras tem me escurecido. Garimpo nessa mina de carvão diamantes. Devo confessar que não paro de escutar as músicas já esboçadas. Espero em breve poder estar postando. O aparecimento de uma transitividade entre elas me deixa entusiasmado para, com o tempo, lançar um álbum temático e tornar o myspace um veículo para acompanhar as músicas que estão sendo feitas. De qualquer modo, já é assim, em uma forma disforme, oculta, que se vê mas não se entende, que envolve incompreensivelmente em sombras. Disfarço-me nas Sobras das Sombras.

Por Paul Schiek

Por Paul Schiek

Sobra das Sombras

O novo projeto

Sobra

das

Sombras

reuni músicas desenvolvidas por um sentimento resistente em minha          cabeça nos últimos                                                    tempos.

Sentimentos que não me abandonam e me exploram para que se d e s e n v o l v a m, fazendo de mim um breve intermediário. Arrasto-me pelo escuro

para descobrir a linguagem do sentimento que me usa e assim poder entendê-lo melhor. Esse complexo de restos

que vivemos e esse mundo de espelhossohlepse, onde os reflexos significam outra coisa que não a essência. Iluminados furtivamente por um ponto fixo e figurados empedernidos ou fugazes naquilo que não somos e que está dentro de

outra coisa.

Mas tão pouco nos enxergamos

. A ausência.

O que sobra de nossa ausência é o mundo que fizemos. Um mundo de

sombras

e

de

sobras. As pessoas se assistem sem se reconhecer em comportamentos meramente ilustrativos                                 e nos permitem o desfrute                         de suas sobras, sobre as quais podemos nos empanturrar, como ratos nos lixos.

Caminho pro entre as sombras.

Vigio o seu lixo.

Urubu da luz.

Sobra das Sombras

Pouco me resta.

Recolho as sobras nas sombras.

As sobras me assombram.

E me fazem parecer um pequeno garoto

olhando para a imensa sombra de minha solidão.

Ou sou eu, velho no chão,

Procurando sobras na escuridão.

Uma chuva de luz me convida

para um mergulho.

Na luz, o que eu vejo?

A sobra de homens que caminham na escuridão.

Ou a sombra de ontem

projetada por um clarão.

O que sobra nas sombras?

O que sobra das sombras?

Só posso ver quando me turva a visão.

Só posso aceitar se for de coração.