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T. entra pela porta de seu quarto esbaforido. A entrevista será em meia hora a uma hora de sua casa. Sua melhor camisa. Sua melhor calça. Seu melhor sapato. Seu melhor sorriso. O ônibus não espera quem não está eperando pelo ônibus, então T. se apressa e desce a ladeira de seu apartamento voando. A chuva lhe provoca as primeiras sensações de pessimismo. Essa chuva tem trazido pessimismos a todos em Salvador nos últimos tempos. No ponto de ônibus as cascas das pessoas estão a esperar por sua vez. Parecem grilos que acabaram de se trocar e você poderia pegá-los com a mão, somente casca. Não é esse o ônibus, talvez o próximo . Ainda não. T. se abriga da chuva e espera angustiado. Já é hora de estar lá. Não mais que de repente um cardume de pessoas se move em direção a sua condução e some para sempre. T. sobe no ônibus seguinte para entrar em uma viagem por sua mente. Ele vê as cascas pela rua e o ônibus caminha na velocidade de seu pensamento, atravessando a cidade. Ninguém está ao lado dele. Por favor, me atirem.
T. chega em casa como um avião atinge o mar depois de enfrentar a força de dez furacões. Explodindo. Ele fecha a porta de seu quarto e saca do armário a mochila que o espera. Colocando-a ao chão em frente a ele, encara sua sina. Respira fundo. Estaria pronto. Está pronto. Pronto, resolve esperar e pode descançar. Mas T. sumiu. T. conseguiu o emprego. Nos próximos dias poderá trabalhar como vendedor. Preferia que fosse assim. Por favor, me atirem.
