You are currently browsing the monthly archive for Outubro, 2008.

São umas oito e meia da manhã. Rodrigo T. para o carro no estacionamento abaixo de uma árvore mirradinha, com bem poucas folhas, mas que pode fornecer alguma sombra para o impiedoso sol de meio-dia. Bip – soa o alarme ao ser ativado e travar as portas. Ainda havia muitas vagas, estava cedo para qualquer trabalhador de uma repartição pública. O prédio imponente se ergue na frente de T. Os guardinhas vigiam. Circulam. Cumprimentam com a cabeça em um gesto de educação e constrangimento. As portas de vidro deixam prever o que estar por vir lá dentro. Na recepção, o silêncio não é bem recebido. Ou você fala alguma coisa ou você nem é visto. O senhor de pé, em frente ao balcão, busca uma informação que a mulher e o rapaz sentados em sua frente não conseguem escutar, pois a conversa sobre o programa da TV estava embalada de mais para parar e atender alguém. Mas T. só vê isso de relance, enquanto caminha em direção ao elevador, e mal se dá conta do que de fato acontece. Algum tempo diante do elevador. As portas… as setas… seta pra cima… seta pra baixo… fila para o elevador. As portas se abrem depois de um tempo do elevador ter chegado, parece um teste de paciência e T. se diverte em ver a fila se tornar um amontoado de pessoas mesmo antes das portas se abrirem. Dentro do elevador, alguém puxa uma conversa fiada. As pessoas do primeiro não conversam com as pessoas do terceiro, as quais não conversam com ninguém. As pessoas do primeiro não pegam o elevador. As pessoas do segundo… bem, T. nunca conheceu ninguém do segundo. As pessoas do terceiro… sim, as pessoas do terceiro. Acho que as pessoas do terceiro merecem um post próprio…

Durante a noite, as palavras ecoam em minha cabeça e me fazem transpirar. Não conseguirei esquecer essas palavras, essas páginas por um bom tempo. O papel em branco tem sido meu aliado. Enquanto o teclado escorrega pelos meus dedos eu escuto a sua voz, límpida, certa de cada palavra, mas repleta de uma fantasia que me transporta.
Enquanto eu mergulho em minha monografia minha boca sussurra o nome da cousa.


