Tu, que és a mais fétida existência,
Tu, que consomes a profunda ferida da razão
e que encantas os pensamentos,
Tu, insensata pureza,
não mais jantará sobre meu peito a lástima deste dia,
pois é tempo de crueldade
e a visão não está em ordem.

Este corpo,
sobre o qual antes descançava o urubú de tua lembrança,
agora tem gravado na ferida o verme do meu sufrágio.
O teu encantamento encerrou a sua refeição.
Já devoraram o porco da esperança
e não mais esperaremos sentados pela névoa de meus pensamentos.
Pois agora janto sobre mim mesmo a gordura de minha infelicidade
e babo pelos cantos a minha última lástima.