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Tu, que és a mais fétida existência,
Tu, que consomes a profunda ferida da razão
e que encantas os pensamentos,
Tu, insensata pureza,
não mais jantará sobre meu peito a lástima deste dia,
pois é tempo de crueldade
e a visão não está em ordem.
Este corpo,
sobre o qual antes descançava o urubú de tua lembrança,
agora tem gravado na ferida o verme do meu sufrágio.
O teu encantamento encerrou a sua refeição.
Já devoraram o porco da esperança
e não mais esperaremos sentados pela névoa de meus pensamentos.
Pois agora janto sobre mim mesmo a gordura de minha infelicidade
e babo pelos cantos a minha última lástima.
Sinto que às vezes me esqueço, me passo. Estou escrevendo num blog. Todos os dias, pela noite, quando todo mundo já está dormindo, eu me levanto vagarosamente evitando que a cama faça um rangido, vou na ponta dos pés até o computador e acesso o meu blog. Então, um prazer imensurável me sufoca e eu clicko em todos os links e categorias e vejo todas as imagens e escrevo comentários e e e… e em fim desligo o computador, retorno a cama para só no dia seguinte ler os comentários que fiz e ver o status alto. Nove acessos. Ah… Comentários. Ah… Os visitantes clickaram nestes links do seu site. Ah… Posts mais vistos. Ah…
E eu escrevo mais um post que só eu irei ler, a noite, na solidão de meu blog.
“Minha jangada vai sair p’ro mar, vou trabalhar, meu bem querer. Minha Jangada vai sair p’ro mar, vou trabalhar, meu bem querer. Minha jangada vai sair p’ro mar, vou trabalhar, meu bem querer…”
E esse verso fica se repetindo em minha memória. Creio que em todos vocês também, como se fossem as ondas do mar, esses versos vêm e vão, se repetindo e ecoando e terminando sempre com um chuuuaaaaAAARRR! Dorival Caymmi faz a Bahia como ninguém faz. Quando me apaixonei pela Bahia não foi por qualquer Bahia, foi pela Bahia de Caymmi. A Bahia que parece balançar na proa de um barco, a Bahia que parece deslizar no mar como uma jangada.
Eu aproveito o bom vento e a corrente fria que se aproxima e jogo minha rede no mar, enquanto, em pé na jangada com o sol do amanhecer, ouço de uma voz familiar em algum lugar distante:
“ai, ai que saudade eu tenho da bahia
ai, se eu escutasse o que mamãe dizia:
‘bem, não vá deixar a sua mãe aflita
a gente faz o que o coração dita
mas esse mundo é feito de maldade e ilusão’
ai, se eu escutasse hoje não sofria
ai, esta saudade dentro do meu peito
ai, se ter saudade é ter algum defeito
eu, pelo menos, mereço o direito
de ter alguém com quem eu possa me
confessar
ponha-se no meu lugar
e veja como sofre um homem infeliz
que teve que desabafar
dizendo a todo mundo
o que ninguém diz
vejam que situação
e vejam como sofre um pobre coração
pobre de quem acredita
na glória e no dinheiro
para ser feliz”
(Dorival Caymmi)
E eu fico acenando um tchal rizonho para o mar.
“Minha jangada vai sair p’ro mar, vou trabalhar, meu bem querer. Minha Jangada vai sair p’ro mar, vou trabalhar, meu bem querer. Minha jangada vai sair p’ro mar, vou trabalhar, meu bem querer…”
Chega na África do Sul uma grife de roupas à prova de balas. Ela já existe em 16 paises e acaba de conquistar o mercado da cidade de Johanesburg. O estilista colombiano Miguel Caballero garante que as roupas suportam até tiros de AK-47 e afirma que uma cobertura especial para resistir a facas pode ser encomendada.
“You talk the talk. Do You walk the walk?” (Full Metal Jacket)
Três policiais morrem esfaqueados em atentado em Xinjiang.
Atentado no Paquistão deixa ao menos 13 mortos.
Forças de segurança indiana matam ao menos sete na Caxemira.
Chefe local da Al-Qaeda morre em tiroteio no Lêmen.
…
“You talk the talk. Do you walk the walk?” (Full Metal Jacket)
Em meio a claricitude das palavras e as nebulosas intenções se faz com prosperidade a montanha. E as mulheres de rosa passeiam com seus vestidos ao vento no anseio de um primeiro sopro. Não vem, até então, o sol agradá-las. É o refúgio dos mortos. Sem consciência, não se fazem sentir, e as mulheres caminham como um cardume que surpreende com cada movimento inesperado, mas que ilude a razão e faz crer que tudo não poderia ser diferente. É a lógica dos fatos. E porque se deu assim não poderia ser diferente. Mas é tudo tão diferente para a montanha. Entram os pássaros e os aviões, os macacos e as pedras, e as mulheres caminham em círculos e não fazem progresso, mas voltam a surpreender e partem em retirada para uma direção para logo em seguida tomar outra. E tudo é tão obvio e tão inesperado. Mas é tudo tão diferente para a montanha. E se, por acaso, as mulheres disparassem em direção ao cume, e se antes de pousar sobre o topo lhe fizesse um giro, e se o sol clareasse a vista e o vento não levasse as imagens, se gentilmente as mulheres se sentassem e a música parasse de tocar, e se com um salto magnífico todas se pusessem de pé, ainda assim seria tudo tão diferente para a montanha. Mas, em vez disso, as mulheres descem vigorosas a costa mais íngreme num sufoco que prevê a queda, a sombra da montanha as esconde da visão mais desavisada, o rosa se torna cada vez mais vinho e derrama por entre as pernas para logo em seguida se tornar mais marrom e então preto, todas elas giram em torno de sí e parecem isoladamente confusas, a queda, a essa altura, já é inevitável e elas saltam em direção ao ar avisando ao precipício que nada mais restava. Mas é tudo tão diferente para a montanha. E os macacos lascam as pedras e os pássaros no avião se despedem com um adeus.
Enquanto me afeiçôo ao silêncio, que fale por mim a fantástica fábrica de Michel Melamed. 
