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Viva José de Alencar!

Viva Rousseau!

Em entrevista para o jornal Folha do São Paulo, o general-de-brigada, Luis Eduardo Rocha Paiva, explicita suas preocupações com o despovoamento da Amazônia brasileira. Afirma que acredita sim na nacionalidade do índio brasileiro, porém, ao se conceder o território unicamente a este povo, está se abrindo mão da soberania nacional e se criando margens para um território autônomo dentro do Brasil. As pressões internacionais, principalmente fronteiriças, fazem com que o Brasil perca o controle da região para ONGs que buscam reforçar no índio o sentimento de apátrida. “Eles podem pleitear inclusive a soberania”, diz Paiva.

Mas Paiva, aos seus 56 anos, perdeu o romantismo. Não vê o índio e sua autonomia de reação, sua particularidade nas decisões e seu modo próprio de levar a vida. Passei muito tempo de minha vida melancólico e desapontado com a comunidade indígena e suas calças jeans, suas pick ups e os arco-e-flechas inúteis se não para a comercialização como arte, que ficará pendurada na parede de algum cidadão que visita reservas como quem vai ao zoológico, com seu bonezinho de explorador e o cantil na cintura. Devo assumir que minhas expectativas sobre a humanidade moram agora no coração da Amazônia, em índios pintados para a guerra que disparam flechas contra helicópteros, como se estes fossem seres malévolos de alguma história que o pajé lhes contou. Vendo a sociedade que construímos e continuamos a construir tenho uma leve impressão que qualquer dia nos virá um daqueles terremotos que pôs abaixo cidades da China e transformará em pedras a nossa civilização. Ou, para ser mais trash, algo como o novo filme de M. Night Shyamalan (The Happening), no qual a natureza se rebela contra o homem numa mais nova seleção natural. Vejo que, por vezes, é bom pensar como a dicotomia funciona em seu inverso, como seríamos se os índios resolvessem dominar nosso espaço. E não me refiro ao nosso território físico, mas nosso espaço cultural, social e político. Algo próximo das comunidades zapatistas do México, que com seus ideais indígenas tentam se aplicar a mundialização das ideologias e das práticas. Um mundo índio… As “aldeias globais” de Milton Santos sairiam da metáfora para o empirismo dos fatos.

Mas, para aqueles em que o romance da vida já não atinge mais a razão, como se a emoção tivesse perdido qualquer força sobre o intelecto, me defenderei com Rousseau. Numa análise simples se observa a contra-mão que Locke e Hobbes entraram ao expor a civilização como o estado avançado do ser humano. Como se o homem selvagem fosse primitivo e grosseiro próximo ao “civilizado” (europeu). Mesmo a manifestação moderna de 1922 já nos disse que vivemos em uma selva de concreto. Rousseau olhava para o homem selvagem de uma maneira mais esclarecedora, sem o autoritarismo das idéias civilizatórias romanas, que vêem nos outros os bárbaros. Rousseau tem a capacidade de ver o diferente como diferente e expõe que o seu bom selvagem está no ambiente adequado para servi-lo, a selva. E mesmo Charles Darwin se realizaria nessa colocação. “Suas módicas necessidades”, diz Rousseau, “encontram-se tão facilmente ao alcance da mão e ele está tão longe do grau de conhecimentos necessários para desejar adquirir outros maiores, que não pode ter nem previdência, nem curiosidade. O espetáculo da natureza, à força de se lhe tornar familiar, torna-se lhe indiferente”. (Rousseau, Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens – 1755, [também chamado Segundo Discurso], p. 58). De nenhuma maneira os índios se fazem piores do que nós, homens da cidade, tão pouco o inverso se faz válido. Mas abrir mão de um estado contemplativo da vida humana em prol de uma defesa militar, econômica ou política é estupidez. Seria um “terrorismo de Estado” se entrepor nas relações indígenas de forma predatória, antidemocrática.

Para aqueles que acreditam na leviandade desses discursos só me resta uma opção. TOLOS. Acreditam inutilmente que chegaram ao estado de plenitude da vida e da razão. Doutores do destino de ninguém, com suas práticas rastejantes que, sem que perceba, rapidamente se entrelaçam e esmagam o que vos aflige o poder. Estão na guerra errada, lutando pelas coisas insensatas.

E para o impasse internacional, eu sugiro: tomemos a postura que nos é singular, não será necessário em nenhum instante tomarmos a postura que não é nossa, uma atitude de hipocrisia, devemos ser um país desenvolvido com nossas próprias qualidades, somos o Brasil e é assim que fazemos política, não recorreremos a um passado de desigualdades e exploração para nos defendermos de uma ameaça imperialista, vamos confeccionar nossas próprias armas e jogar nosso jogo.

E para aqueles que ainda não concordam, que prossigam assim, mas sabendo:

“Quando envenenarem todos os rios, derrubarem todas as árvores e matarem todos os peixes, vocês descobrirão que dinheiro não se come” (ensinamento indígena).   

 

Penso no mar e me pergunto se o mar pensa em mim.

Se ele vai sentir saudades quando eu partir.

Se vai apagar minhas costas marcadas na areia.

Ou se vai se apegar a minha imagem e se recolher no fundo de saudades.

Se vai me trazer quando a maré virar.

Se vem me ver quando eu voltar.

 

Quinto pé humano aparece em praia do Canadá

Um pé humano foi encontrado em uma praia perto da cidade de Vancouver, na costa oeste do Canadá, segundo informações da polícia local.

Transeuntes encontraram a parte do corpo boiando na água, na costa de um subúrbio de Westham Island, na região de British Columbia, na segunda-feira (16/06).

É o quinto pé humano a ser encontrado na região desde agosto do ano passado. Mas este é esquerdo, enquanto os outros quatro eram direitos.

A polícia está conduzindo investigações para tentar estabelecer se a descoberta tem relação com outras na mesma área. Todos os pés estavam calçando sapatos e haviam passado bastante tempo na água.

Se você tinha um pé que segue essas descrições, favor contactar a polícia de Vancouver.

“Nós certamente não descartamos a possibilidade de que o pé tenha relação com um dos outros pés encontrados, mas ainda é muito prematuro e seria muito especulativo para a gente até imaginar algo nesse momento”, disse a policial especulando que o sujeito que perdeu o pé possuiria mais outros quatro.

Ela disse que deve levar algum tempo até que a polícia possa responder se o DNA do pé pertence a alguma pessoa desaparecida, ou se é compatível com um dos outros pés já encontrados na região.

Descobertas horríveis

 

Em agosto passado, dois pés humanos desacompanhados apareceram em praias de pequenas ilhas ao norte de Vancouver. Em fevereiro, um terceiro pé direito apareceu. O quarto pé foi descoberto em uma praia em um subúrbio de Vancouver em maio passado.

Atenção! Todos estavam calçados com tênis de corrida!

Nos jornais e cafés da cidade circulam teorias sobre o mistério, afirma o correspondente da BBC em Vancouver Ian Gunn.

A polícia afirma que não há evidências de que os pés tenham sido cortados deliberadamente ou removidos à força, eles provavelmente sairam para dar uma volta.

Médicos legistas afirmam que não é incomum que partes de corpos se soltem depois de passar um longo tempo na água.

 

notícia original em http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u413155.shtml

“Hormônio da fome” tem efeito antidepressivo, diz estudo

 

Níveis altos de grelina, o chamado “hormônio da fome”, podem ter efeito antidepressivo, segundo um estudo de cientistas americanos publicado na revista especializada “Nature Neuroscience”.

A grelina é liberada na corrente sangüínea pelo estômago vazio e levada até o cérebro, onde provoca a sensação de fome.

O estudo concluiu que camundongos com alto nível do hormônio apresentavam menos sinais de depressão e ansiedade. Uma grande esperança para a humanidade e um forte avanço nas políticas de combate a fome.

Cientistas acreditam que o tratamento com o hormônio ou com algum remédio que controle seus efeitos poderia ajudar tanto as pessoas que sofrem de falta de apetite como as que comem muito. O remédio vem sendo testado em mendigos pelas ruas de Salvador e das grandes capitais. Os resultados tem sido positivos. É o fim do ditado: “saco vazio não fica em pé”. Pula e dança!

 

notícia original em http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u412724.shtml

“É primavera dos mortos em meu coração”.

O peso daquelas palavras o deixou estancado no meio da calçada. Era de fato a primavera dos mortos em seu coração e a comprovação imediata disso o levou a um susto que mesmo o último poste, com quem parou para jogar conversa fora um pouco, e tinha a garantia de que essa era a melhor forma de fazê-lo, encontrou-se pálido e estático. Seus olhos fitavam o infinito como se o infinito estivesse em sua frente. Pensava que poderia sim levar aquilo adiante e, mesmo que não lhe proporcionasse toda a forma, seria válido, era simples, havia se acostumado já com o jeito que encontrara de levar a vida e já até sentia às vezes que estava sendo levado. Era um hábito seu parar em frente aos postes, contar o seu número e conversar um pouco. Nunca chegou a trabalhar com aquela galera que sobe nos postes, achava até uma falta de respeito, como pode isso assim, que coisa sem nexo, perde todo o sentido, são postes porra, e se sentia extremamente magoado com aquela cituação embaraçosa. Pelo que se lembrava nunca chegou mesmo a trabalhar, nem se lembra muito bem da sua família. Era sabido seu que a coisa mais estranha que já vira era aquilo das mesmas pessoas se encontrarem todos os dias. Mas não gastava seu tempo com esses pensamentos e eles nem se quer chamavam a sua atenção.

“É o mais doce e primaveril momento da minha morte”.

Havia parado de chamar a vida de vida. Para ele o fato era simples: estava morrendo a cada dia e cada momento seu era um momento de sua morte.

“Sete quatro dois dez dois dez cinco.” Ronronava, respirava forte. “Sei que já não pode fazer isso, continuar assim, mas fazer o que?” e um extremo vazio se abria na sua mente. Um longo e absoluto vazio .

Nunca fez parte de um plano seu levar a vida assim. Nunca fizera muitos planos nem rompera com muitos ideais. Permanecera daquele jeito porque sempre fora assim. Era óbvio que lhe custaria muito qualquer mudança. E mesmo permanecer já era bastante custoso para o que pretendia gastar com a vida. Simplesmente foi se acostumando ao fato de prosseguir estático. Não havia de nada produtivo em sua vida se não ela mesma, porque isso é arriscado condenar a absurda incompetência. Por sinal, nesse fator até se arriscaria dizer que foi de extremo sucesso. Estava vivo até então. E bem vivo. Tinha as canelas meio secas e escuras, com manchas de micoses. Era a primeira coisa que se identificava no sujeito, com aquele chorte de uma cor camuflada com uma sujeira grosseira. Por sinal, era moda na época. E vivia por aí. Altamente ocupado em fazer nada . E nada poderia desvia-lo da prossecução de sua tarefa. Estava fadado ao acaso.

E mal já era primavera.

Amanheço noturno.

Esqueço!

Caminho por entre linhas que jamais poderia suspeitar. Me renovo em um canto de vento que sopra as janelas e sinto um odor indecifrável que me é anfitrião. A cara suada. Desapareço e me vêm dizer coisas confusas sobre a qual não quero fala. Enrolam suas línguas e misturam suas falas. Ecoam. A cara suada.

É um golpe sujo, devo adimitir, se surpreender assim com tudo. É um golpe sujo. Mesmo se não se olha com esses olhos, porque ela me disse que tudo continuaria desse jeito por ela, mas me ocorrem vezes de mudar. Sem muito comprometimento mesmo, uma coisa mais espontânea, um susto. Mas ela me obriga sempre a dizer que sim, eu irei. E fui.

A cara suada.

É sempre essa maior besteira, uma perda de tempo: eu fico sentado e, sem me mover muito, lá vem ela trazendo. Acontece sempre. E eu posso marcar as horas, contar nos dedos e nada. É toda vez numa hora diferente.

A cara suada.

Tenso. Estico as mãos e giro umas duas ou três vezes, atéeeee ficar meio bobo. Parece nóia, mas ouvi dizer - e não se ouve muita coisa assim - que eles vão tentar novamente. O quanto antes! Pode esperar, pode até levar dias mas, assim que você começa com aquele negoço, lá vem tudo de novo.

A cara suada.

Anoiteço.