
Por Paul Schiek
Sobra das Sombras
O novo projeto
Sobra
das
Sombras
reuni músicas desenvolvidas por um sentimento resistente em minha cabeça nos últimos tempos.
Sentimentos que não me abandonam e me exploram para que se d e s e n v o l v a m, fazendo de mim um breve intermediário. Arrasto-me pelo escuro
para descobrir a linguagem do sentimento que me usa e assim poder entendê-lo melhor. Esse complexo de restos
que vivemos e esse mundo de espelhossohlepse, onde os reflexos significam outra coisa que não a essência. Iluminados furtivamente por um ponto fixo e figurados empedernidos ou fugazes naquilo que não somos e que está dentro de
outra coisa.
Mas tão pouco nos enxergamos
. A ausência.
O que sobra de nossa ausência é o mundo que fizemos. Um mundo de
sombras
e
de
sobras. As pessoas se assistem sem se reconhecer em comportamentos meramente ilustrativos e nos permitem o desfrute de suas sobras, sobre as quais podemos nos empanturrar, como ratos nos lixos.
Caminho pro entre as sombras.
Vigio o seu lixo.
Urubu da luz.
Sobra das Sombras
Pouco me resta.
Recolho as sobras nas sombras.
As sobras me assombram.
E me fazem parecer um pequeno garoto
olhando para a imensa sombra de minha solidão.
Ou sou eu, velho no chão,
Procurando sobras na escuridão.
Uma chuva de luz me convida
para um mergulho.
Na luz, o que eu vejo?
A sobra de homens que caminham na escuridão.
Ou a sombra de ontem
projetada por um clarão.
O que sobra nas sombras?
O que sobra das sombras?
Só posso ver quando me turva a visão.
Só posso aceitar se for de coração.