Nathaniel Sexton

Foto por Nathaniel Sexton

Minha cabeça não me dá muitas opções. Tinha que retornar a trabalhar na Sobra das Sombras. Passo o dia a me perturbar com meus pensamentos. Eles me exploram emocionalmente e explodem nas músicas. Por conta disso a maioria delas tem nascido com espontaneidade. Digo, são improvisadas, como a dilatação do momento que às envolve. É a genuina representação de algo que desperta em mim, rouba por um segundo minha relação com a forma de expressão e fala em música. Gostaria de ter controle sobre isso, mas mal posso controlar minhas funções motoras.

O resultado disso é um som muito cru. Os programas de edição tem me causado uma certa irritação. Não sei se as músicas serão editadas. A princípio serão lançadas na versão ao vivo. Muito em breve poderei estar postando.

O projeto tem evoluído com mais facilidade do que eu esperava. Duas músicas já foram escritas e estão em fase de edição. Esse será um processo bem interessante, uma continuação da composição musical, um momento em que vamos buscar utilizar a edição como um instrumento, parte da criação artística. As músicas têm saído do canto escuro da sala. O diálogo freqüente com as sombras tem me escurecido. Garimpo nessa mina de carvão diamantes. Devo confessar que não paro de escutar as músicas já esboçadas. Espero em breve poder estar postando. O aparecimento de uma transitividade entre elas me deixa entusiasmado para, com o tempo, lançar um álbum temático e tornar o myspace um veículo para acompanhar as músicas que estão sendo feitas. De qualquer modo, já é assim, em uma forma disforme, oculta, que se vê mas não se entende, que envolve incompreensivelmente em sombras. Disfarço-me nas Sobras das Sombras.

Por Paul Schiek

Por Paul Schiek

Sobra das Sombras

O novo projeto

Sobra

das

Sombras

reuni músicas desenvolvidas por um sentimento resistente em minha          cabeça nos últimos                                                    tempos.

Sentimentos que não me abandonam e me exploram para que se d e s e n v o l v a m, fazendo de mim um breve intermediário. Arrasto-me pelo escuro

para descobrir a linguagem do sentimento que me usa e assim poder entendê-lo melhor. Esse complexo de restos

que vivemos e esse mundo de espelhossohlepse, onde os reflexos significam outra coisa que não a essência. Iluminados furtivamente por um ponto fixo e figurados empedernidos ou fugazes naquilo que não somos e que está dentro de

outra coisa.

Mas tão pouco nos enxergamos

. A ausência.

O que sobra de nossa ausência é o mundo que fizemos. Um mundo de

sombras

e

de

sobras. As pessoas se assistem sem se reconhecer em comportamentos meramente ilustrativos                                 e nos permitem o desfrute                         de suas sobras, sobre as quais podemos nos empanturrar, como ratos nos lixos.

Caminho pro entre as sombras.

Vigio o seu lixo.

Urubu da luz.

Sobra das Sombras

Pouco me resta.

Recolho as sobras nas sombras.

As sobras me assombram.

E me fazem parecer um pequeno garoto

olhando para a imensa sombra de minha solidão.

Ou sou eu, velho no chão,

Procurando sobras na escuridão.

Uma chuva de luz me convida

para um mergulho.

Na luz, o que eu vejo?

A sobra de homens que caminham na escuridão.

Ou a sombra de ontem

projetada por um clarão.

O que sobra nas sombras?

O que sobra das sombras?

Só posso ver quando me turva a visão.

Só posso aceitar se for de coração.

Olhos nos olhos Fiz esse poema a algum tempo e hoje ela completa aniversário. Então resolvi postar como o único presente que posso dar e como um desabafo. Espero que goste. Eu gosto muito dele.

….

Eu não posso mais ver os seus olhos

Dizendo-me porque eu devo ficar aqui.

Caminho em direção ao fim que eu esperei.

E ninguém quer acreditar cada sofrimento

existente em mim.

Ninguém pode entender o amor

que parasita em mim.

E que tem em seus olhos.

O que tem em seus olhos?

E que tem seus olhos

como intermediário.

….

Eu procuro não cair na loucura.

E no escuro eu busco o fantasma de teus olhos

em cada gaveta em mim.

Essas pequenas coisas que não se explicam com

uma só palavra.

O que tem em seus olhos

e que tem em meus olhos?

O que tem em seus olhos

para me levar assim?

Eu posso estar errado,

mas esse mundo vai viver maravilhado.

Todos vão ter grandes momentos

e todos os momentos serão esses,

junto com todas as coisas estupefato.

Eu talvez esteja errado,

mas Sarney será caçado.

E os sorrisos não provarão lamentos.

Nem os rios vão afundar as mentes.

Nem eu ficarei entre prédios trancado.

Eu devo estar errado, mas

Preciso ir mais devagar

e tenho que sentir mais.

Te paro

Te olho

Teatro

Te toco

Antítese.

T. entra pela porta de seu quarto esbaforido. A entrevista será em meia hora a uma hora de sua casa. Sua melhor camisa. Sua melhor calça. Seu melhor sapato. Seu melhor sorriso. O ônibus não espera quem não está eperando pelo ônibus, então T. se apressa e desce a ladeira de seu apartamento voando. A chuva lhe provoca as primeiras sensações de pessimismo. Essa chuva tem trazido pessimismos a todos em Salvador nos últimos tempos. No ponto de ônibus as cascas das pessoas estão a esperar por sua vez. Parecem grilos que acabaram de se trocar e você poderia pegá-los com a mão, somente casca. Não é esse o ônibus, talvez o próximo . Ainda não. T. se abriga da chuva e espera angustiado. Já é hora de estar lá. Não mais que de repente um cardume de pessoas se move em direção a sua condução e some para sempre. T. sobe no ônibus seguinte para entrar em uma viagem por sua mente. Ele vê as cascas pela rua e o ônibus caminha na velocidade de seu pensamento, atravessando a cidade. Ninguém está ao lado dele. Por favor, me atirem.

T. chega em casa como um avião atinge o mar depois de enfrentar a força de dez furacões. Explodindo. Ele fecha a porta de seu quarto e saca do armário a mochila que o espera. Colocando-a ao chão em frente a ele, encara sua sina. Respira fundo. Estaria pronto. Está pronto. Pronto, resolve esperar e pode descançar. Mas T. sumiu. T. conseguiu o emprego. Nos próximos dias poderá trabalhar como vendedor. Preferia que fosse assim. Por favor, me atirem.

Calmaria
Por que deixar a vida te ameaçar
enquanto você se sente deitado em navalhas?
Por que deixar o amor te afetar
enquanto você dorme deitado em navalhas?
Por um momento
eu quase morro.
E esse mundo
que eu vi construir
chegaria ao fim,
em algum infinito momento
depois de morto.

Em certo tormento,
e eu quase louco,
teria destruido
o que eu não vi,
mas eu construí
em um momento absorto,
antes de morto.

(13/04/2009 – 01h30min)

E você me vem mais uma vez.

E eu posso fugir.

E eu posso me esconder

atrás de um sorriso meu,

para que eu não tenha que ouvir

você dizer,

para que eu não tenha que ver

seus olhos brilharem.

Para que eu não tenha que dizer:

eu não vou voltar!